Guia simplificado de problemas comuns em gramado

Foto: Reprodução/Instagram (@patrickexterminatingfl)

No verão seu gramado está verde e crescido, uma maravilha! Mas o crescimento do seu gramado pode estar escondendo alguns problemas que você só verá em épocas mais frias. Saiba quais são os problemas mais comuns na implantação e manutenção de gramados e o que fazer quando se deparar com eles.

Problemas na implantação do gramado

De fato, o problema com seu gramado pode ter começado com o preparo errado do terreno para o plantio da grama. O preparo envolve processos como descompactação, adubação e análise de solo que muitas vezes são meramente ignorados por quem realiza a implantação do gramado.

Quando for escolher a grama para seu jardim, antes de mais nada, estude se o local é ensolarado ou não, já que em plena sombra nenhuma grama vai se desenvolver. Se acaso o lugar for sombreado opte por mudas de forração adaptadas à sombra. No entanto, se o local for à meia sombra, ou seja, que o sol bate na metade do dia ou em um dia inteiro com luz filtrada, as gramas São Carlos (Axonopus compressus) e Santo Agostinho (Stenotaphrum secundatum) podem ser utilizadas. Em caso de exposição total ao sol, a queridinha Esmeralda (Zoysia japonica) é uma ótima opção inclusive pelo seu custo.

Leia sobre a importância da exposição correta das plantas ao sol aqui

Estudar o terreno onde quer implantar o gramado também inclui verificar se ele é plano ou não. Se for plano, cuide para que não haja áreas com formação de poças d’água e, se houver, faça um declive para que a água possa escoar. Contudo, se o terreno for inclinado opte por gramas que formam rizomas (caules subterrâneos) ou estolões (caules que crescem paralelos ao solo) pois estes atributos proporcionam a formação de uma “rede” e auxiliam a grama a conter o escoamento de água e solo, evitando erosões. 

Antes de sair jogando as placas de grama pelo seu quintal atente-se também a fatores como o tamanho e a qualidade da camada de solo disponível para o plantio da grama e a proximidade da praia. Para camadas muito finas de solo (onde furando o solo logo encontramos uma rocha) pode-se acrescentar terra enquanto para solos pouco férteis pode-se fazer a adubação (mas não use muito adubo orgânico!). Já para áreas próximas à praia aposte da grama Santo Agostinho que suporta níveis maiores de salinidade que a Esmeralda. Nesse caso, existem também alguns produtos que podem ser utilizados antes do plantio. Em ambas as situações, o melhor é chamar um Engenheiro Agrônomo para avaliar a melhor escolha.

Problemas na manutenção do gramado

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam (ou parecem imaginar quando vemos o estado de seus gramados) a grama, assim como outras plantas do seu jardim, precisa de manutenção no pós-plantio para se manter verde e bonita por mais tempo.E se sua dúvida é quanto tempo dura um gramado saiba que ele pode durar por muitos anos (quiçá para todo o sempre) SE você realizar a manutenção de maneira correta e constante.

Caso seu gramado esteja com uma cara de quem precisa de ajuda veja abaixo alguns dos erros que você pode estar cometendo na manutenção e como você pode corrigi-los:

 

1. Você não está irrigando 

Isso é tão óbvio mas também tão comum que parece que estamos falando mais do mesmo. Grama é planta e planta precisa de água não só para se hidratar mas também para a realização da fotossíntese, que é o processo que as plantas utilizam para obter glicose através da energia da luz solar (ainda vai ter post sobre ela aqui no blog, aguardem). Havendo dificuldade em realizar a fotossíntese a grama não terá energia suficiente para se desenvolver e pode até acabar secando e morrendo.  

Além disso, a exposição dos gramados ao sol é grande, o que faz com que as taxas de evapotranspiração (evaporação de água da terra somada com a transpiração da grama) sejam bem altas, fazendo com que a reposição de água deva ser constante. Sem dúvida um gramado que não é irrigado tem muito mais falhas, um crescimento muito mais lento e aguenta menos o pisoteio e o sombreamento que um gramado irrigado. 

Sabemos que o uso racional da água é importante, portanto realizar um bom preparo de solo podea trazer a você uma futura economia no uso da água (assim como um sistema de irrigação bem dimensionado e regulado, se for o caso). Fica ainda o alerta de que tanto a falta como o excesso de irrigação são prejudiciais. Em exagero, a irrigação pode levar ao aparecimento de doenças e à infestações de plantas daninhas. 

Dicas:

■ Folhas enroladas são sintoma de que seu gramado está sofrendo stress hídrico (quando não existe água suficiente para a planta absorver), então fique de olho! 

■ Observe sempre a reação do seu gramado à quantidade de água que você está utilizando e faça testes durante o ano para determinar de quanto em quanto tempo o seu gramado deve ser irrigado. 

■ É interessante para seu gramado que a rega, quando realizada, seja intensa para que atinja camadas mais profundas do solo

2. Você está podando muito ou apenas quando está muito grande

Não conseguimos entender o porquê, mas é fato que muitos jardineiros e donos de jardins realizam a poda do gramado cortando suas raízes e abrindo buracos que chegam ao solo.  Essa prática reduz demais a quantidade e o tamanho das folhas, as responsáveis por captar luz solar pra realizar a fotossíntese. Como resultado, o gramado demora mais tempo ainda para se recuperar, tornando-se fraco, com falhas e abrindo espaço para entrada de plantas daninhas. 

Há também aqueles que, para economizar, costumar aparar o gramado vez sim, vez nunca. Dessa forma, as plantas daninhas têm tempo suficiente não só para brotar mas também para crescer, florescer e espalhar sementes pelo seu jardim (e pelo do vizinho também). 

Dicas:

■ A altura ideal varia de acordo com o tipo de grama e sua utilização mas, de maneira geral, cerca de 5 cm são suficientemente saudáveis para a maioria delas. Em áreas mais sombreadas mantenha continuamente o gramado mais alto.

■ Sempre haverá plantas daninhas, é fato. Porém, manter a altura ideal do gramado dificulta a reinfestação.

■ Gramados que ficam com aparência queimada ou manchada após a poda provavelmente estão sendo podados de maneira errada. Faça testes aumentando a altura da poda ou mudando o tempo entre as podas e observe qual o melhor método para seu gramado.

3. Você não está adubando

Para manter a estética do gramado é comum que, depois de cortar, seja feita a retirada da palha (que vai pro lixo). Dessa forma estamos colaborando para que haja a retirada dos nutrientes que foram retirados do solo, depositados nas folhas e que retornariam ao solo após a decomposição da palha, interrompendo um ciclo que existiria naturalmente se não fosse nossa intervenção.  Para o gramado se desenvolver ele precisa retirar nutrientes do solo. Se estamos retirando os nutrientes do solo e impedindo que a ele retornem, a nutrição do gramado se limita ao pouco que restou no solo. Por isso a adubação do gramado é tão importante!

Dicas:

■ A adubação do gramado, seja mineral ou orgânica, deve sempre ter a recomendação de um Engenheiro Agrônomo visto que tem dosagens ideais para cada situação. Tanto a falta quanto o excesso de adubos e nutrientes podem prejudicar a saúde do seu gramado.

4. Você não está descompactando/aerando o solo

Nós sabemos que não é uma prática comum em gramados de jardins mas também sabemos como é necessária. Esse é um procedimento bem mais comum em gramados esportivos, onde há grande pisoteio e compactação do solo e se faz necessário agir para que o gramado não seja prejudicado.

Em gramados de jardim a prática é realizada para estimular o enraizamento da grama, melhorar a drenagem do solo e também para diminuir a compactação superficial do solo que ocorre naturalmente depois de um tempo caminhando sobre a grama ou com o impacto de gotas da chuva e irrigação. Além disso, auxilia na diminuição de doenças fúngicas causadas pelo acúmulo de água no gramado. 

Para realizar a aeração manual existem dois tipos de aeradores: os que utilizam cilindros para remover miolos de solo e os que apenas perfuram o sem extrair o solo. É só “dar um Google” para encontrar diversas opções. 

Faça um teste: se as raízes do seu gramado estiverem menores que 5 cm, está na hora de aerar o solo! 

Dicas:

■ Realize o procedimento ao menos a cada três anos para manter seu gramado saudável, ou com maior frequência se ele estiver com aspecto enfraquecido ou se o solo é argiloso-pesado (solos de argila pesada precisam ser aerados com maior frequência quando comparados a solos arenosos).

■ Não passe com o aerador sobre o gramado todo mais de uma vez. Repita o procedimento, no sentido contrário, apenas nas áreas de maior compactação (onde há pisoteio e passagem de veículos, por exemplo).

■Você pode adicionar areia aos buracos que você fez para contribuir com a aeração do gramado. Caso não faça isso, apenas não mexa nos buracos. 

■ Em uma breve pesquisa você poderá encontrar algo parecido com chinelos aeradores de gramado. Considere-os como um bom benefício para sua saúde e de seu jardim. 

Lembre-se sempre que quando se trata de plantas os problemas podem existir de maneira isolada mas normalmente ocorrem simultaneamente, um piorando a situação do outro. Com a chegada do inverno (winter is coming) a maioria dos problemas do seu gramado vai ficar bem mais evidente e talvez você se arrependa de não ter olhado para ele com mais carinho antes. Então aproveite o conteúdo e coloque em prática o que aprendeu para ser sempre o vizinho com a grama mais verde! 

Se não quiser colocar a mão na massa, também não tem problema! Basta contratar o serviço de um paisagista para realizar a revitalização do seu gramado.

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